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sábado, abril 18, 2009

Na televisão

Fui com as angústias caladas para a primeira ecografia. Se não estava dentro do útero, se o coração não funcionava, ou afinal dois ou mais inquilinos a incharem-me a barriga que já nem fecho o botão das calças sem ter chegado ao 2º mês, chiça.

Ele agarrou-se à Sábado, eu aproveitei para ler fantasias eróticas e escapadas sensuais na Happy. Ele espreitou ao ver o título "e se fizéssemos a três?", mas fingiu que continuava a dedicar-se ao caga opiniões rogeiro.

Mandaram-nos entrar e a mim despir-me toda da cintura para baixo. Ele nunca tinha ido a uma consulta de outra pessoa, ainda para mais com um homem a mexer-me nas partes baixas, não sabia bem onde se devia pôr nem para onde olhar. Por sorte há sempre tecto e paredes.

A enfermeira pediu-me para sentar na borda da almofada, enquanto me tapava com o lençol. O médico sentou-se do meu lado direito, ele do lado esquerdo. Começou a explicar que como ainda estava de pouco tempo (teoricamente entre 7 e 8 semanas) iria fazer a eco com sonda vaginal.

Nisto enfiou um preservativo na ponta da dita, besuntou com gel, ele ainda pensava será que lhe vai enfiar aquela coisa pela... Puf, já lá estava dentro.

Foi aí que o conhecemos, nem tivémos dúvidas.

Uma cabeça enorme, dois braços e duas pernas. Mexeu a sonda e vimos a coluna, depois o coração a bater a bater. Está de mais tempo do que pensava, disse-me. Afinal são 9 semanas e 1 dia. Ainda pensei em perguntar se não seria grande para a idade, mas achei que era capaz de ser cedo para sintomas de orgulho maternal e certeza da superioridade da prole. Que seja, 9 semanas e 1 dia, acho que consigo viver com isso. Deu-me cabo das contas, é o que é. Uma criatura cheia de vontade de ser, a passar todas as barreiras de controle que pensávamos ter garantido. Um início de vida com proactividade e determinação. A coisa promete.

terça-feira, abril 14, 2009

O dia em que o tracinho azul apareceu

Mais de uma semana de atraso, coisa que nunca aconteceu nestes anos todos que levo de tortura mensal. O corpo ameaçava desatar a deitar a prestação devida mas nada de aparecer, decidi comprar o teste na farmácia para tirar o fantasma e esperar tranquilamente o comboio que insistia em atrasar-se.

Acordei, deitei os líquidos indicados na ponta absorvente do aparelho de plástico que não teve dúvida. Quando lá chegou por capilaridade o sinal positivo só faltava gritar. Que grande porra, urrei, vou lavar os dentes.

Ele entrou na casa de banho olhou para a cruzinha, parabéns, voltou para a cama onde ficou à minha espera.

Depois de nos olharmos e discutirmos alguns detalhes práticos sobre o que fazer, desatei em pranto. Não vou poder comer alface, gritei-lhe. Mas tu não gostas de alface, tentou. Sim, mas se quiser como-a, e agora não vou poder.

Três lenços de papel mais tarde abraçou-me com o seu sorriso bonito. Vamos ser pais, isto é uma coisa boa. Não me faças isto que volto a chorar, e se bem o disse melhor o fiz. Isto das hormonas é exactamente como o pintam.