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sexta-feira, setembro 26, 2008

O professor me ensinou a fazer uma carta de amor*

Desço a rua e vejo o carteiro sentado num banco de jardim, com o carrinho do correio ao lado. Está a ler uma carta e a sorrir, num quadro tão harmonioso que parece inventado por um publicitário empenhado em aumentar o volume de envelopes ao estado.

De repente sou assaltada por uma dúvida maquiavélica. Seria para ele?


*ouvir aqui ou aqui

segunda-feira, agosto 25, 2008

Cérebro, obstáculo

Sem pressa, esperava para ser atendida na papelaria enquanto a menina tirava fotocópias a uma mulher com o filho de seis anos. A senhora mandou o miúdo pôr uma carta no marco do correio, aquela coisa vermelha e alta com uma ranhura.

Volta a criança passados 5 segundos

- Aconteceu uma coisa engraçada, não cabe

Ainda pasmava com a resposta da criaturinha, quando a mãe

- Cérebro, obstáculo.

Fiquei a olhar para ela, enquanto repetia apontando para a testa

- Cérebro, obstáculo. Sem estragares o envelope vais ter de descobrir como o fazer entrar. Já lá vou ter.

Vim-me embora a pensar na largura do sobrescrito e na diagonal da ranhura. E nas pessoas que desistem de resolver problemas por difíceis.