quinta-feira, maio 07, 2009

Pensamentos soltos e dúvidas maternais

Já estou barriguda mas ainda não sinto a criatura. Insisto em pôr creme, agora duas vezes ao dia, com esperança. Continuo a engolir o folicil de manhã e a mastigar o cálcio depois do almoço. De resto tudo muito bem, sem enjoos nem chatices.

Bem, nem tudo. Começo a ter um nervoso miudinho pela amniocentese que se aproxima. Que se tudo corre bem na intervenção, se tenho de ficar quieta muito tempo, se o resultado vem com 46 cromossomas com os genes no sítio certo.

Ofereceram-me o primeiro par de meias e fiquei meia hora encantada de boca aberta a olhar para aquela maravilha. Neste momento ele cabe inteirinho dentro daquela organização de lã e algodão, mas há de chegar o tempo em que apenas um pé e outra em que nem isso. Olho para crianças na rua, miúdos já grandes e penso que um dia ele vai ter aquele tamanho. Será que vai gostar de almondegas com puré como eu?

As pessoas, especialmente as mulheres, contam-me as histórias mais insólitas e tolas. Que amamentaram até aos dois anos de idade da criança, que me tras à cabeça uma quase erotização da ligação mãe filho que me soa pouco saudável. Que a episitomia isto e a cesariana aquilo. Não quero saber, não perguntei, não me contem. Nem leio nada sobre o desenvolvimento embrionário nem sintomas da gestação, para não correr o risco de desatar a sentir coisas que não são as minhas.

Ando sem paciência para as parvoices que me acontecem no trabalho, e para gente tola que não sabe o que anda cá a fazer na Terra. Enterneço-me com pessoas atentas e gentis, e com os comentários simpáticos de quem passa no blog.

Tenho tido pouco tempo para cá vir e sinto-me culpada, mas a minha vida tem tido poucas graças para contar. Vou-me esforçar para que mude, que aborrecimento.

Hoje andei de saltos altos o dia todo, que me moeram os pés até os deixarem em estado de hamburger pronto a grelhar. Recuso-me a ser uma grávida pata choca enquanto o puder evitar. Uso vestidos justos e decotes generosos, que gritam que estou à espera de bebé mas não deixei de ser mulher. Olham-me com estranheza e curiosidade na rua. Dizem-me que estou bonita e eu gosto de acreditar que sim.

10 comentários:

M. disse...

Estás linda!

Eu sei que os meus olhos sempre te viram bonita, mas agora irradias vida, plenitude e gritas MULHER... da forma feromónica que sempre foi a tua!

Deixas saudades quando não estás e fazes-me sentir protectora de ti quando te tenho à minha frente!

Estás assim... eu diria, melhor que nunca!

Beijos
M.

Alba disse...

Mesmo com uma certa melancolia, foi bom lê-la de volta!
Vai passar, vai passar...

Joana Lopes disse...

Há que tempos que estou para vir aqui dar os parabéns, abraços e beijinhos!!!! Foi hoje.

Anónimo disse...

Querida ester, é tão bom estar gravida, aproveita ao máximo, eu dou por mim imensas vezes a ter saudades das minhas barrigas e desse estado de ingenuidade e ansiedade, querer que passe depressa e ao mesmo tempo querer disfrutar de todos os pormenores... depois também é bom, mas é... diferente. tudo de bom.

Isabel disse...

Ester

A amniocentese não custa nada, nem se dá conta. A ansiedade a seguir custa um bocado mas a probabilidade de que tudo esteja muito bem é imensa. estar grávida é uma maravilha, aconselho vivamente.

foi dançar a bossa nova disse...

Querida D. Ester,

Também lhe queria dar um beijo...

sete e picos disse...

tu tranqui, que essas dúvidas são mais que normais, mas vai tudo correr bem. Um grande abracinho

sem-se-ver disse...

eu TENHO A CERTEZA que está lindíssima!!!!!!!

nove e tal disse...

querida,

eu faço-te as almôndegas, pode ser?

e se estás BEM bonita!

beijos mil

D. Ester disse...

que queridas todas, obrigada.

Nove, a almondegas eu digo sempre sim! E o puto como está sempre aos saltos e aos pinotes deve dizer sim a qualquer coisa comestível, temo uma adolescência terrivel em termos alimentares.

Bossa nova, tens o condão de me ligar quando não posso atender, e tenho adiado o ligar de volta. Mea culpa, mea culpa.

Isabel, fiz ontem e foi das coisas que mais me custou na vida. Não sei se quero voltar a passar por isto, francamente... Ontem e hoje estive de molho, logo conto o périplo de sangue, suor e muitas lágrimas que escorreram por mim. Mas parece estar tudo bem, até agora. Com a determinação desta criatura em existir e sobreviver a furinhos na parede seguramente nada o trava, digo eu num misto de orgulho e medo.