in Guia Prático do Crescimento Chicco, Edição 2008 nº 59, pag. 53
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Evidentemente
in Guia Prático do Crescimento Chicco, Edição 2008 nº 59, pag. 53
sábado, janeiro 16, 2010
Aqui jaz
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Cidade
Esqueceram-se de acrescentar que o uso citadino frequente exclui Lisboa e a calçada portuguesa. Para conseguir o estatuto de citadina feliz col bambino tenho de me resignar a ser uma rapariguinha do shopping.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Confesso
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Mais difícil ainda

Crianças, não tentem isto em casa!
Descobri que não apenas as rodas dos carrinhos deslizam no tapete como as minhas lindas botas de sola lisa, pelo que tive de me agachar agarrada aos manípulos do carro para o/me/nos parar. Entre a posição de galinha chocadora e os gritinhos histéricos, entremeados com "já te ligo", toda a compostura de MILF gabardine esvoaçante e saltos altos se foi, mas evitei a entrada directa no carro através dos vidros do estacionamento, sem passar na casa partida e sem pagar dois contos.
terça-feira, janeiro 05, 2010
O amor em tempos de férias
domingo, janeiro 03, 2010
Das vantagens da maternidade
sábado, janeiro 02, 2010
A importância do tamanho
Se não conseguir peço-vos que façam um requerimento em papel azul de 25 linhas dirigido ao catraio. Tem ar de ser sensível a pedidos formais com um toque de anacronismo.
sexta-feira, janeiro 01, 2010
Everyday is christmas and every night is new year's eve
O meu ano novo começou em Outubro.
terça-feira, dezembro 22, 2009
Ossos do ofício
domingo, dezembro 20, 2009
Um bocadinho
Ando a tentar pôr em contacto o meu coté maternal com a costela de boas maneiras, e quando se encontrarem pode ser que consiga começar a dizer obrigada com um ar tímido-embaraçado, ou eu também acho mas sou suspeita, ou se chegar ao nível três já reparou como ele tem as orelhas um bocadinho de abano?
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Tremores
Silêncio
- Se não és tu, achas que temos poltergeist em casa? (estava mesmo a falar a sério, resquícios dos anos 80, vítima de Spielberg em 1º grau)
O bebé continuava a mamar que Deus lhe dava e nós começámos a fazer planos de emergência.
Olhamos um para o outro, pensando que talvez as paredes caiam mas se não falarmos no assunto pode ser que se aguentem.
E foi assim que o facebook e o twitter me salvaram de uma noite passada na rua de bebé a tiracolo, a fugir de putativos blocos de cimento. É no que dá ver trailers de filmes catástofre antes de ir para a cama.
terça-feira, dezembro 08, 2009
Always look on the bright side of life
No meio de tanto verbo ele olhou pela janela ao voltar para a cama. Ainda com os olhos a meia haste atirou-me há coisas bem piores que ter um bebé. São 7h30 da manhã, está um frio de rachar, chuvisca e há um tipo a passear dois cães na rua. Ao menos o nosso faz chichi dentro de casa.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
Eles
sábado, novembro 21, 2009
MILF
Ainda pensei explicar-lhe o conceito MILF e como eu conto entrar nele o mais breve possível. Mas considerando que ele ainda não chegou a uma idade de dois digitos e acha beijos com língua uma nojeira dos filmes, achei prudente evitar a conversa.
Ao passear-me na minha hora de liberdade pelas ruas dos quarteirões deste bairro fui piropeada por um adolescente - o que para uma velhota de 35 anos é um elogio do caneco. O pior foi a frase que ele escolheu para me mimosear. Eh lá, belas maminhas a uma mulher a amamentar convenhamos que dá vontade de responder my son's thoughts exactly.
domingo, novembro 15, 2009
Twilight zone
quarta-feira, novembro 11, 2009
Me, te, se
Dou por mim a dizer disparates como "ele dormiu-me" ou "ele faz-me". Se me descuido um dia acordo e estou a vestir roupa de andar por casa, calçar chinelos e resmungar uns ai a minha vida pelos cantos, nos intervalos de comentar a meteorologia com as vizinhas e de reclamar que o almoço é servido à uma. Em ponto.
terça-feira, novembro 10, 2009
O melhor do mundo
Ontem precisava de ovos e de desopilar, dei o meu passeio higiénico pelo sapateiro, correios e banco deixando a criança nos braços do pai. Estou de tal forma aparvalhada que entrei num supermercado de bairro com dois corredores e fiquei de boca aberta com as formas e as cores das embalagens nas prateleiras, isto é tão giro que saudades tinha de vir às compras, pensei.
De facto,
Obrigada Shyzdomingo, novembro 08, 2009
New blue eyes
Puseram-mo em cima da barriga para o bonding mas esqueceram-se de mo virar de frente, queriam à força que me apaixonasse por uma nuca. Tive de gritar que não o conseguia ver para que o enfermeiro tivesse dó de mim e aí sim, ficámos os dois a olhar um para o outro, com que então és tu era o que se lia em cada um de nós. Tirámo-nos as medidas para termos a certeza de que não nos trocavam na maternidade (eu feliz por ele ter uma grande marca na testa para facilitar o processo), enquanto o pai lhe dava a independência cortando o cordão umbilical (nada me tira da cabeça que o miudinho vai usar esse argumento para lhe sacar o carro para andar pelas naites quando chegar a hora).
Agora andamos a conhecer-nos. Há dias mais fáceis que outros - hoje está como um santo a sorrir na alcofa enquanto dorme, faz apenas uns barulhinhos que me faziam saltar da cama para ver se era uma macueca mas aos quais já me habituei. Tem um ar feliz assim.
Noutras alturas chora desalmadamente e eu não sei que lhe hei-de fazer, tenho de ir por tentativa e erro e nem assim acerto. Rendo-me, ficando com ele no colo a embalar até que se acalme ou desista.
Ainda temos muito a aprender um com o outro. Como todas as mães neofitas tenho medo de fazer asneiras e mortifico-me quando acho que alguma coisa não correu bem e a culpa foi da minha aselhice. Para me consolar dizem-me que o quer que faça vai ser sempre pouco aos seus olhos adolescentes. Encolho os ombros e penso nos seus olhos de adulto inteligente e sensato. Mas o melhor mesmo é poder ficar horas a contemplar o fabuloso azul cor do mar em dia chuvoso que tem agora. Para a semana logo se vê se mudam de cor.
terça-feira, outubro 20, 2009
Na próxima vida
- E se fosses homem?
(silêncio longo)
- Nem me tinha ocorrido.
terça-feira, agosto 04, 2009
Canta a minha alma
Há um ano era assim - começava este blog e eu ia de férias. Hoje foi assim:

Passado este tempo tenho uma pessoa a ser feita dentro da minha barriga, defendi a tese de doutoramento (aprovada com os salamaleques do costume) e estou outra vez de férias. Mais a sul mas sempre em praias maravilhosas.
No regresso a casa e já com a primeira desova do ano completa, voltarei a dar ímpeto a este blog. Até lá trabalharei arduamente para o bronze, das zonas em que a pele não estica e encolhe e me assustam com vaticínios de panos e coisas terríveis.
sexta-feira, julho 24, 2009
Greve ao parto
(pum. caiu para o lado)
segunda-feira, julho 20, 2009
Win some, lose some
segunda-feira, julho 13, 2009
Excitação e histeria
domingo, julho 12, 2009
Havia alguma necessidade de me contarem isto?
Estás mesmo gira, a barriga está enorme e maravilhosa. Não te preocupes que depois dele nascer isso diminui tudo. Uma vez quando a minha tinha para aí um mês eu estava sentada na poltrona toda contente porque a barriga já estava como antes, e depois levantava-me e plof, as peles caiam-me pela cintura abaixo. Mas ao fim de um ano vai ao sítio.
Este não é o género de coisas que uma primigesta está interessada em ouvir. O que quer que seja que vá acontecer de horrível, feio, chato e complicado hei de descobrir por mim. E até pode ser que o destino, tac, me poupe a tão triste fado.
Em contrapartida os homens são uns bacanos, o máximo de conversa que fazem é para saber o sexo da criatura. E dizerem-me que estou com umas mamas fenomenais.
quarta-feira, julho 08, 2009
Para as curvas

Não sei se fez um pacto com o diabo ou se usa a mesma fotografia há 20 anos. A conferir esta noite, no Jardim do Palácio do Marquês do Pombal.
segunda-feira, julho 06, 2009
Genuína preocupação filial
Eles passam o dia a sentir-nos mexer, falar, rir, gritar, e a uma dada altura nada. Tudo quieto. Nem um aceno de braço para amostra. É apenas natural que a criatura pense "oh diabo, queres ver que a minha velhota quinou?" e começam aos coices até conseguirem uma resposta.
Já estou a preparar uma comunicação para o Journal of Obstetrics and Ginecology, acho que os referees vão apreciar.
sexta-feira, julho 03, 2009
This one’s from the heart
Diz que as regras são
Então cá vai
IF SOMEONE SAYS "IS THIS OKAY" YOU SAY?
Aqui na terra, Clã
WHAT WOULD BEST DESCRIBE YOUR PERSONALITY?
Guerra Santa, Gilberto Gil
WHAT DO YOU LIKE IN A GUY/GIRL?
Don’t go into the barn, Tom Waits
WHAT IS YOUR LIFE'S PURPOSE?
De esquina, Cássia Eller
WHAT IS YOUR MOTTO?
Computer blue, Prince and the revolution
WHAT DO YOUR FRIENDS THINK OF YOU?
The horizon has been defeated, Jack Johnson
WHAT DO YOU THINK ABOUT OFTEN?
The fall of Troy, Tom Waits
WHAT IS 2+2?
Dançar na corda bamba, Clã
WHAT DO YOU THINK OF YOUR BEST FRIEND?
Zé trindade, Skank
WHAT DO YOU THINK OF THE PERSON YOU LIKE?
Stranger on Earth, Lisa Ekdahl
WHAT IS YOUR LIFE STORY?
With every wish, Bruce Springsteen
WHAT DO YOU WANT TO BE WHEN YOU GROW UP?
Something more, Mark Lewis and the Standards
WHAT DO YOU THINK WHEN YOU SEE THE PERSON YOU LIKE?
Cuccurucucu Paloma, Caetano Veloso
WHAT DO YOUR PARENTS THINK OF YOU?
Dá-me lume, Jorge Palma
WHAT WILL YOU DANCE TO AT YOUR WEDDING?
Who wants to be a millionaire? The Thompson twins
WHAT WILL THEY PLAY AT YOUR FUNERAL?
The will to live, Ben Harper
WHAT IS YOUR HOBBY/INTEREST?
De cara a la pared, Llasa de Sela
WHAT DO YOU THINK OF YOUR FRIENDS?
La canzione del amore perduto, Fabrizio di André
WHAT'S THE WORST THING THAT COULD HAPPEN?
Balada, Camané
HOW WILL YOU DIE?
En la casa, Gabriel o Pensador
WHAT IS THE ONE THING YOU REGRET?
Don’t, Seu Jorge
WHAT MAKES YOU LAUGH?
Tell it to me, Tom Waits
WHAT MAKES YOU CRY?
Bow down, Housemartins
WILL YOU EVER GET MARRIED?
Oran Marseille, Khaled
WHAT SCARES YOU THE MOST?
El viento, Manu Chao
DOES ANYONE LIKE YOU?
Pela internet, Gilberto Gil
IF YOU COULD GO BACK IN TIME, WHAT WOULD YOU CHANGE?
That was your mother, Paul Simon
WHAT HURTS RIGHT NOW?
Goodnight Irene, Tom Waits
WHAT WILL YOU POST THIS AS?
This one’s from the heart, Tom Waits & Crystal Gayle
quinta-feira, julho 02, 2009
Deus não dorme
terça-feira, junho 30, 2009
Em forma de assim
Ficámos sem palavras para lhe explicar que é exactamente assim que se passa. Num momento estamos cá e noutro, às vezes sem um pré-aviso sequer, pumbas já era.
Nesta semana foi a Farraw, depois de anos de doença, o Michael, pumbas, e agora a Pina Bausch - 5 dias depois do diagnóstico.
Eu cheia de vida dentro de mim, só me apetece gritar take me away from all this death. A ver se há um drácula que me valha.
segunda-feira, junho 29, 2009
Ser mulher é

sábado, junho 27, 2009
PYT
Com ele aprendi o que significa TLC - tender love and care. Nunca lhe fizeram um vídeo, o que é a prova definitiva de que era a única destinatária desta letra e música.
A sua música e dança, a provarem a imortalidade do génio.
sexta-feira, junho 26, 2009
It's Charlie, Angel. Time to go to work
Para além do Michael Jackson, ainda me estou a recompôr do choque, ontem também morreu a Farraw. Tinha 62 anos e um cancro do cólon.
sexta-feira, junho 19, 2009
Ele
Ainda estamos em estado de graça um com o outro, não me chateia nem me pesa demasiado. Ando toda inchada mas apenas de orgulho pela quantidade de vezes por dia que oiço quão bonita me faz esta gravidez, mais porque de facto o sinto. Sinto-me bonita e atraente, feminina e elegante, com uma barriga orgulhosa e um sorriso que o demonstra.
Deitada no sofá enroscada com o autor da sua existência com a mão na minha barriga, sentiram-se pai e filho. A ateíssima trindade começou.
quarta-feira, junho 10, 2009
As aulas
Sigo as restantes barrigudas pela piscina fora, como uma ave migratória a reconhecer caminho, com paragem no duche, e entro na pista que nos é destinada. Há que nadar só com braços ou só com pernas de um lado para o outro agarradas a um chouriço flutuante de cor garrida, depois das primeiras voltas em que sinto os músculos a funcionar começa a assaltar-me o síndrome barco a remos no campo grande, de vez em quando ultrapassada por uma austríaca que anda na bisga bem como, oh humilhação, uma que já está quase no termo mas que pelos vistos tem os bicepes em forma.
Olho com o desespero de uma naufraga em volta da piscina, à procura dos giraços que costumam salpicar os bons ginásios. É sabido que as pessoas se esforçam mais na presença de elementos do sexo oposto com aspecto lavado e atraente. Mas nada. Nem mulheres nem homens, apenas um gebo que deve ter passado há pouco dos 18 anos a fazer de vigilante das pistas onde estamos as grávidas com uma sensaborona quarentona a repetir "e vai", e dois ou três utilizadores livres que já gozam há bastante do desconto da terceira idade e a quem vejo com mais frequência agarrados à borda a ganhar fôlego que outra coisa.
No fim da aula sigo a austríaca, ave líder do bando, vou baralhada pelo cansaço e sigo-a para dentro de uma casa de banho em vez do balneário. Desculpo-me como consigo, ainda me resta um pouco de voz, lavo-me, visto-me e arrasto-me dali para fora.
Comeria um boi se tivesse forças nos braços para levantar o garfo e a faca, mesmo na ausência de Adonis parece que a ginástica faz efeito. Pelo sim pelo não deixo a minha recomendação no clube. É um borracho para a pista do canto, se faz favor - tenho uma austríaca para ultrapassar.
terça-feira, junho 02, 2009
Já sereia não sou!
Experimentei-o e fiz a asneira de me olhar ao espelho, transformei-me numa visão dantesca de mulher disforme, com as curvas todas apertadas numa malha de nylon espartilhante e anti-sensual.
- Querido, fico horrível com o modelo novo
- Óptimo. Para gira já bastam os outros.
(nota mental: nunca deixá-lo apanhar-me viva com esta porcaria agarrada à pele)
terça-feira, maio 26, 2009
This is dedicated to the one I love
Médico, professor, investigador
amante das coisas belas, na natureza e na arte,
a minha fonte inesgotável de amor e de desafios intelectuais.
Para a "Favorita",
do Avô
sexta-feira, maio 22, 2009
Exactamente
Procuro na gaveta os fatos de banho de desporto de outrora, descobrindo que devem ter encolhido porque já caibo mal lá dentro. Pergunto-me se não seria melhor comprar um que tapasse mais de um terço das minhas mamas.
Decido fazer o teste conjuge e vou até à cozinha mostrar-me enquanto ele prepara o pequeno almoço. Depois de uns segundos a olhar-me em silêncio apenas consegue perguntar a medo Isso é exactamente o quê?
Está visto que terei de entrar em (mais) despesas.
quarta-feira, maio 20, 2009
Dona redonda e a sua gente
quarta-feira, maio 13, 2009
Piadas semânticas
They said a Blackman will be President of America only when pigs can fly.
Barack Obama has been in power 100 days and bang!
Pigs flu!
terça-feira, maio 12, 2009
A emissão segue dentro de momentos
Ao seu lado um representante do PCTP/MRPP sem 1/10 da piada ou 1/100 da inteligência e perspicácia do Garcia Pereira, com 10 vezes mais agressividade e da gratuita, insultando a apresentadora pelo alinhamento das perguntas, cumprindo o legado do grande educador do povo português explicando-lhe à frente de todos nós o que ela devia ter feito em vez das escolhas que seguiu.
A Ilda foi ao consultor de imagem e trouxe uns olhos soberbamente sublinhados, apesar de continuar a carregar no same old play button.
O Paulo Rangel tinha uma cor acinzentada, parece-me que precisa de menos papas e mais vegetais e fruta, e um raiozito de sol para fixar a vitamina A, mas isto sou eu que não tenho qualquer pasta governativa.
A Laurinda Alves continua com síndrome X frágil mais acentuado que nunca, fez questão de nos contar dos casos da vida real que encontrou por esse Portugal em vez de responder às perguntas que lhe eram feitas. Minto: quando questionada sobre o tratado de Lisboa anunciou impante, como quem descobre o ovo de colombo ou grita que o rei vai nú, que as bolsas erasmus e programas comenius são muito mais importantes que qualquer tratado, enquanto repetia o mantra "não perguntemos o que a UE pode fazer por nós, mas sim o que podemos fazer pela felicidade uns dos outros", com Kenedy a dar voltas na tumba à sua conta.
Havia ainda um senhor que parecia um alho francês com orelhas do tamanho do aeroporto da portela, outro de cara de prepúcio triste e um sosia do irmão do Hugh Jackman no X-men (mas sem garras sujas de preto, que tivesse notado).
Os únicos que fizeram intervenções interessantes, pertinentes e inteligentes foram o Miguel Portas e o Nuno Melo (que apesar da mise não é um tipo nada parvo). Não estava a pensar votar em nenhum dos dois, o que me aborrece como quando o Benfica perde jogos.
Alguém podia ter avisado a Fátima que não é boa ideia sentar 13 à mesa.
quinta-feira, maio 07, 2009
Pensamentos soltos e dúvidas maternais
Bem, nem tudo. Começo a ter um nervoso miudinho pela amniocentese que se aproxima. Que se tudo corre bem na intervenção, se tenho de ficar quieta muito tempo, se o resultado vem com 46 cromossomas com os genes no sítio certo.
Ofereceram-me o primeiro par de meias e fiquei meia hora encantada de boca aberta a olhar para aquela maravilha. Neste momento ele cabe inteirinho dentro daquela organização de lã e algodão, mas há de chegar o tempo em que apenas um pé e outra em que nem isso. Olho para crianças na rua, miúdos já grandes e penso que um dia ele vai ter aquele tamanho. Será que vai gostar de almondegas com puré como eu?
As pessoas, especialmente as mulheres, contam-me as histórias mais insólitas e tolas. Que amamentaram até aos dois anos de idade da criança, que me tras à cabeça uma quase erotização da ligação mãe filho que me soa pouco saudável. Que a episitomia isto e a cesariana aquilo. Não quero saber, não perguntei, não me contem. Nem leio nada sobre o desenvolvimento embrionário nem sintomas da gestação, para não correr o risco de desatar a sentir coisas que não são as minhas.
Ando sem paciência para as parvoices que me acontecem no trabalho, e para gente tola que não sabe o que anda cá a fazer na Terra. Enterneço-me com pessoas atentas e gentis, e com os comentários simpáticos de quem passa no blog.
Tenho tido pouco tempo para cá vir e sinto-me culpada, mas a minha vida tem tido poucas graças para contar. Vou-me esforçar para que mude, que aborrecimento.
Hoje andei de saltos altos o dia todo, que me moeram os pés até os deixarem em estado de hamburger pronto a grelhar. Recuso-me a ser uma grávida pata choca enquanto o puder evitar. Uso vestidos justos e decotes generosos, que gritam que estou à espera de bebé mas não deixei de ser mulher. Olham-me com estranheza e curiosidade na rua. Dizem-me que estou bonita e eu gosto de acreditar que sim.
quinta-feira, abril 30, 2009
Ceci n'est pas une pine

No meio dos pulos e saltos que dava na minha barriga, e eu ainda sem sentir esta criatura com tanta genica e força de impulso, parece fazer do meu útero um recreio divertido, teve tempo de se virar de rabo para a câmara qual next geração rasca e melhorar o protocolo. Para além de se baixar e exibir o traseiro, abriu bem as pernas para se visse o que tem no meio delas. Mãe, Maria Leonor o c-asteriscos!. E depois continuou nas suas piruetas.
Acho-lhe graça. Sempre gostei de gente que luta pelo que é seu. O futuro promete belas e coloridas discussões.
terça-feira, abril 28, 2009
Conversa de gajas
- A Diana casou-se por aqui
Uma grávida, outra a amamentar, uma a pensar no assunto e a quarta farta de conversas de crianças.
- Tens de praticar os músculos do interior da vagina, senão com o parto natural essa porcaria alarga-se toda e ficas feita ao bife. Pensa que estás a empurrar uma ervilha lá no fundo, sem mexer os músculos do rabo
(todas em silêncio a tentar)
- Eles dizem para fazer isto até no trânsito, não é?
(continuamos)
- Posso pensar antes numa pila? é que com ervilha tenho dificuldade em visualizar
(concentradíssias em silêncio, cheias de medo do alargamento do canal)
- Olhem lá, isto não dá para excitar um bocado? É que não sei se é do vinho ou do pompoarismo, mas de repente parece-me que vocês estão a mais no carro...
Rimo-nos, abrimos a janela e suspendemos a coisa.
A que guia começa a ficar aflita, tem o leite a subir e nunca mais chegamos a casa para esvaziar as mamas na criança.
E todas a mexer e a compararem com as suas, pois é, de facto.
- Ester, não queres ver o que te espera?
Já tinha saudades destas amigas.
quinta-feira, abril 23, 2009
Chapéus há muitos
É coisa que aborrece um pouco, mas já delineei plano para combater a praga - anunciar outra boa nova só para despistar. Tenho uma grande novidade, descobri a cura para todos os cancros! ou Inventei a vacina para o HIV 1, e já estou a trabalhar para o 2, ou Encontrei uma solução para a crise económica mundial, ou mais prosaicamente Tenho úvula bífida, só 1% de caucasianos é que a têm, não é o máximo?
quarta-feira, abril 22, 2009
Apetites
Agora? responde supreendido, a tirar as medidas ao colchão.
Estou a falar da criatura, estás parvo?
Sei lá, não é suposto as grávidas terem apetites insólitos?
segunda-feira, abril 20, 2009
Carrossel do oito
sábado, abril 18, 2009
Na televisão
Mandaram-nos entrar e a mim despir-me toda da cintura para baixo. Ele nunca tinha ido a uma consulta de outra pessoa, ainda para mais com um homem a mexer-me nas partes baixas, não sabia bem onde se devia pôr nem para onde olhar. Por sorte há sempre tecto e paredes.
Nisto enfiou um preservativo na ponta da dita, besuntou com gel, ele ainda pensava será que lhe vai enfiar aquela coisa pela... Puf, já lá estava dentro.
Foi aí que o conhecemos, nem tivémos dúvidas.
quinta-feira, abril 16, 2009
Primeiros sintomas
De repente todos os meus soutiens se tornaram pequenos para tanto volume. As camisas deixaram de apertar; quer dizer os botões até entram na casinha mas o bocado de tecido entre dois parece uma gaita de foles exibicionista.
Ando na rua, tenho reuniões, encosto-me à secretária e de vez em quando plof, lá salta um mamilo que não se aguenta mais naquele bocado de tecido.
Estou cheia de medo do que se irá passar daqui para a frente, e temo bem ter de pedir o número ao estilista da Lolo Ferrari.
Não consigo encontrar nenhuma vantagem biológica ou fisiológica para este efeito secundário a tanto tempo de distância da amamentação, a única resposta é ser um bombom para o progenitor masculino da criatura que trago dentro de mim. Presumo que a vantagem evolutiva que dava às fêmeas seria a de impedir que eles fossem copular com outras no mesmo período, de forma a evitar que as inseminassem e assim tivessem mais filhos que competissem com os seus em recursos e protecção do pai.
Análises biológicas à parte, queixava-me deste fenómeno ao meu partner in crime enquanto me despia para dormir.
"Mas não, que disparate, não estão assim tão maiores, deixa cá olhar bem para.... WOHA!!!""
Portanto vou passar os próximos tempos a contemplar o meu umbigo, enquanto conseguir, está visto que quando a criança nascer vou deixar de o vislumbrar.
terça-feira, abril 14, 2009
O dia em que o tracinho azul apareceu
Acordei, deitei os líquidos indicados na ponta absorvente do aparelho de plástico que não teve dúvida. Quando lá chegou por capilaridade o sinal positivo só faltava gritar. Que grande porra, urrei, vou lavar os dentes.
Ele entrou na casa de banho olhou para a cruzinha, parabéns, voltou para a cama onde ficou à minha espera.
Depois de nos olharmos e discutirmos alguns detalhes práticos sobre o que fazer, desatei em pranto. Não vou poder comer alface, gritei-lhe. Mas tu não gostas de alface, tentou. Sim, mas se quiser como-a, e agora não vou poder.
Três lenços de papel mais tarde abraçou-me com o seu sorriso bonito. Vamos ser pais, isto é uma coisa boa. Não me faças isto que volto a chorar, e se bem o disse melhor o fiz. Isto das hormonas é exactamente como o pintam.
sexta-feira, abril 10, 2009
Mais um
sábado, abril 04, 2009
O que será? (À flor da pele)
sexta-feira, abril 03, 2009
Dreams are my reality
Entretanto lembrei-me do stand-up do Eddie Murphy de há 26 anos atrás. Sempre tem mais graça que os meus sonhos.
segunda-feira, março 30, 2009
Ainda o teatro - a verdade escondida
Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!
Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.
Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.
Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.
Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - “Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida”.
Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!
Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!
sexta-feira, março 27, 2009
Dar novos mundos ao mundo
Teatro
segunda-feira, março 23, 2009
Barack Obama Superstar
Nesta segunda parte ele (deveria escrever Ele?) diz uma coisa importantíssima: queremos que as nossas crianças desejem ser engenheiros ou cientistas, que inventem e construam coisas que farão deste país grande. Ser gestor ou financeiro para fazer muito dinheiro não é coisa em que nos interesse investir.
quinta-feira, março 19, 2009
A vida é bela
quarta-feira, março 18, 2009
A guerra dos mundos

Neste momento creio que até o meu miocárdio parou e andou um bocadinho para trás, qual Button fisiológico. 3 em 10? 30% da população de Washington infectada? Game over, acabou-se, se isto está assim em DC imagina em Beja.
Ainda em hiperventilação consigo ler a caixinha de baixo que me garante afinal serem só 3%. Ufa. É grave claro, epidemia declara-se a partir de 1% incidência, mas chiça 30! É que estando o número escrito por extenso nem podem reclamar ter sido gralha de zero a menos. Acho que lhes vou pedir uma indemnização por danos morais. Quer dizer, se os lucros da Sonae cairam 71% se calhar não vou muito longe...
domingo, março 15, 2009
Quiz da D. Ester
a) José Pinto Coelho, PNR
sábado, março 14, 2009
Os ricos que paguem as quotas
sexta-feira, março 13, 2009
Tem dias, mas ainda se conjuga no presente do indicativo
terça-feira, março 10, 2009
First we take Tehran
domingo, março 08, 2009
Ser mulher
Enquanto fui crescendo, aprendi que as diferenças entre nós e eles se baseavam nos apêndices entre as pernas e pouco mais. Não havia distinção entre brincadeiras nem autorizações especiais para rapazes, a igualdade morava lá em casa.
Na escola, as coisas eram um bocadinho diferentes. As raparigas juntavam-se em bandos para saltar ao elástico, à corda e outras actividades interessantes, os rapazes gostavam de correr com bolas, fossem de futebol ou berlindes. Havia apenas uma coisa que cativava todos; uns pneus enormes, deviam ser de camião ou tractor (pareciam-me gigantescos, provavelmente não o eram), eu gostava de me encaixar lá dentro e que me fizessem rolar pelo recreio fora até ser parada com o embate numa parede qualquer ou apenas pelo atrito da borracha no cimento. O frissom de não ver, de não controlar, de não saber quando ia parar, era indescritível.
Na sala de aula lembro-me que a professora da 3ª e 4ª classe adoptou uma técnica pedagógica que sempre me escapou ao entendimento. Dividia os alunos em grupos: os elevados, os bons, os médios, os medíocres e os maus. Eu era a única rapariga na mesa dos elevados, e várias vezes os apanhei em conspirações para me expulsarem da sua companhia para conseguirem ser os mestres do universo da sala da Sra. D. Eduarda. Houve uma semana em que desci as notas de propósito e passei para a mesa dos bons, que alívio. Era gente mais interessante e mais acolhedora. Infelizmente a professora percebeu a marosca e lá voltei para os elevados, a ter de levar com aqueles embriões de criaturas intragáveis que achavam giro terem clubes de bolinha e sentirem-se os maiores lá da esquina.
Em casa nunca percebi que havia coisas que mulheres ou homens não pudessem fazer. Tanto a minha mãe como o meu pai trabalhavam e muito, a empregada doméstica era a Manuela e o baby sitter era o Francisco. Já nessa altura a minha mãe não chegava a casa às 5h, os empregos eram até ao fim do dia, e havia quem tivesse de ficar connosco. Às vezes eram os avós, mas mesmo aí tanto eles como elas se empenhavam em estar com as miúdas.
Comecei a entender que as mulheres tinham mais deveres que direitos quando a minha mãe achou que já tínhamos idade para ouvir as suas queixas. Que tinha de trabalhar o dobro deles para provar o seu valor para além dos saltos altos, que os lugares de topo estavam cheios de gravatas, que votar era um direito recentemente adquirido, que tantas das coisas que eu dava como normais existiam graças a tantas pessoas antes de mim terem lutado por elas e tantas vezes terem pago preços demasiado altos. Percebi então que a mesa dos elevados era uma estranha representação do que era o mundo e que noutros tempos eu nunca poderia estar ali sentada. Nem poderia ir à escola, na verdade.
Eu tenho muita sorte. Pude estudar o que quis, escolher os trabalhos que mais me interessavam nos sítios que queria, nunca senti qualquer diferença ou condicionamento nem tratamento especial por ser mulher. Estou muito grata a todas os homens e mulheres que fizeram com que isto fosse possível.
No dia em que fiz 18 anos fui-me recensear à Junta de Freguesia com muito orgulho, vim de lá a contemplar o meu cartão de eleitor como um crente para uma pagela. Anos mais tarde vi um documentário sobre as primeiras eleições livres na África do Sul, depois da queda do apartheid. As filas para votar eram quilométricas, as pessoas vinham de todas as aldeias e dançavam e cantavam nas horas, dias, em que esperavam para poder finalmente serem pessoas e cidadãos por inteiro. E mulheres, muitas. Percebes, perguntou-me a minha mãe entre kleenexes. Claro que sim, respondi depois de me assoar.
quinta-feira, março 05, 2009
Quando for grande quero ser assim
segunda-feira, março 02, 2009
Um lugarzinho no céu
Fidélio, o Toxicodependente, Casimiro, o Jornalista, Mirov, o Ucraniano e Anunciada, empregada doméstica. O que é que os une naquela zona onde ninguém passa, onde ninguém vive?
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
Texto: Joaquim Paulo Nogueira
Encenação: Joaquim Paulo Nogueira, Joana Lobo (Assistente de encenação /Dinâmicas de corpo e voz)
Actores: Ana Gil, Filipe Luz, Miguel Santos, Rui Pereira e José Carlos Pontes (pianista)
Música original: José Carlos Pontes
Espaço Cénico e Figurinos: Isabel Alves Mendes
Espaço sonoro: Hugo Guerreiro
Graffitis: Marco Almeida
Iluminação: Marinel Matos
Sonoplastia: Dina Marques
Luminótecnia: Carlos Casimiro e Élio Luís
Cartaz/Programa: Tiago Alves Mendes /Magnésio
Direcção de Produção: Élio Luís
Retroversão do telefonema de Mirov: Valentina Naumyuk do Grupo RefugiActo
Fotografia: David Marçal e Daniel Lobo Antunes
Produção: AltaCena
Ideia original: Joaquim Paulo Nogueira, José Boavida e Pedro Alpiarça
Duração: 1h30
Classificação etária: M12
Apresentações:Março: 6,7,13,14,21,27,28 Abril: 2, 3 de às 21h30
Bilhete: sócios 5€ / não sócios 7,5€
Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
Av. D. Carlos I, 61 -1º LISBOA
INFORMAÇÕES E RESERVAS: TELF: 21 397 34 71
domingo, março 01, 2009
E agora eu sou
3. Estive em Vila Nueva del Fresno para comprar caramelos.
8. Gosto de homens com narizes feios.
9. Tenho umas mãos horrorosas, o que não me impede de as arranjar com verniz às cores e tudo.
sábado, fevereiro 28, 2009
O que faz falta
tinha um colar de oiro com pedras rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.
Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.
Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.
Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco,
e a tíbia de um santo
guardada num frasco.
Foi dono da Terra,
foi senhor do Mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.
Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.
Poema do fecho éclair, António Gedeão. Poesias completas (1956-1967), 2ª Edição, Portugália Editora, Lisboa, 1968, pp 246-248.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
D. Ester no baile
Depois de um bucólico passeio entre ovelhas e comido o prometido ensopado de borrego, devia sentir-me uma besta ao conseguir apreciar os béeeeeee da mesma forma que desencastro os bocados de carne do osso para os saborear, mas não. Decididamente não serei nunca uma vegan, o que de novo me deixou apreensiva, seria desta que me expulsariam do recinto?
Vi violas de campaniça a serem feitas, ponderei encomendar botas caneleiras feitas por medida, comprei brincos e pregadeiras freak à ganância, pensei que estava a conquistar a redenção que me permitiria ver a luz.
Nessa noite assistimos à performance "Memórias do entrudo em entradas", resultado de uma pesquisa dos costumes carnavelescos e da vida quotidiana dos tempos em que havia camponesas e lavadeiras. Mais de meia hora antes a sala já estava cheia dos habitantes da aldeia, curiosos para verem finalmente o video que os meninos da cidade andaram a produzir com a sua ajuda, apoio e protagonismo. O filme feito a partir de fotografias valeu a viagem, montagem com a terra e as gentes, entre caras bonitas e caretas de carnaval, para além do entrudo ele mesmo que acabou a noite a ser queimado ao ar livre, numa pira que haveria de durar toda a noite.
Seguiu-se um baile com danças italianas e francesas, que eu não sabia de todo como dançar. Mas com Deus como minha testemunha, I shall never be still again. No dia seguinte atirei-me como D. Ester às oficinas de dança.
Com o meu par lá fomos aprender valsas, mazurcas, polkas, fandangos e o que mais nos saiu do corpo. Para romper com a ideia quadradinha de se ficar agarrado à tábua de salvação de uma cara conhecida, o professor punha-nos a mudarmos de parceiro a meio das danças. Diverti-me imenso, a passear por braços de dezenas de homens diferentes, cada um reinventando o que tínhamos acabado de aprender ao seu modo e eu a tentar acompanhá-los da melhor maneira que conseguia. À noite atirei-me então sem dramas às músicas que me propunham, com o par que me calhasse em sorte.
Descobri um sítio e espaço onde o que interessa é a boa disposição e a vontade de estar bem consigo e com os outros. Além do mais, promessas são para serem cumpridas.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Estrelas de mil cores, ecstasy ou paixão
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Prevenção e água benta
sábado, fevereiro 14, 2009
Restos e utilidades
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Uma festa de anos original
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
the picasso within
Descobri hoje uma avaliação do professor de Educação Visual do 2º ano do ciclo que resume bem essa minha faceta:
"A Menina Ester conseguiu com o interesse ultrapassar algumas das suas dificuldades de representação do real e de comunicação visual. Revelou criatividade. Deve continuar a trabalhar para manter o aproveitamento satisfatório".
De partir o coração.
Valeram-me as matérias em que podia aplicar a dita criatividade em linguagens que não requeriam a motricidade fina, e que não me tiravam pontos pela caligrafia - tão penosa como o desenho.
sábado, janeiro 31, 2009
O contrato
Vai daí achei que o melhor para ver se ele acordava era fazer-lhe ciúmes, podia ser que assim resultasse e ele percebesse o que anda para aqui a perder. Comecei a receber flores, telefonemas, coisas assim de um Hugo. Com vida, profissão e tudo, que nestas coisas se é para criar inventa-se tudo desde o início.
A coisa cresceu de tal forma que percebi que para o abanão final o Hugo tinha de aparecer, e não podia ser nenhum dos meus amigos, senão mais cedo ou mais tarde ele ia descobrir a marosca. Além do mais levo as coisas muito a sério, se é para fazer faço bem.
Contratei um prostituto.
terça-feira, janeiro 27, 2009
De facto
domingo, janeiro 25, 2009
Actually, my eyes are green

sábado, janeiro 24, 2009
Defesa indiana do rei

quinta-feira, janeiro 22, 2009
Quinze a zero
Explica-me o procedimento: vai haver uma exposição, seguida de perguntas e todos (incluindo eu) teremos de fazer a avaliação no final. Faço uma careta de maldade e posso dizer que não gostei? Responde-me com tranquilidade, se for essa a tua opinião sim, mas tens de explicar porquê.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Unidades de medida
- Em termos de quê?
- Transmissão em directo e cervejas
sexta-feira, janeiro 16, 2009
A educação que me deram
- Tu estás bem, filha?
- Estou mega stressada, cheia de trabalho, com 5 projectos simultâneos e com umas pessoas a quererem fazer-me a folha. Estou com pressa por causa disso, tive chatices de manhã e agora mais umas reuniões e...
- Sim, mas tirando isso, estás bem?
O meu pai trabalha imenso, todos os dias. Quando era pequena não entendia aquele afã, sempre agarrado aos papéis, até porque quando os largava nem uma palavra sobre o assunto lhe saia. Ensinou-nos que o trabalho faz parte da vida, mas que de facto não é o mais importante. Quando me pergunta como estou não lhe interessa se o trabalho corre bem ou mal, isso é o que eu tenho de fazer, a minha missão. O que realmente importa é se estou bem comigo e com os outros, amizades e amores. O resto vem por acréscimo. E que falar do trabalho é para quem não tem mais nada que dizer.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Aqui vai uma barquinha carregadinha de
Oz
Australia conta-se em duas linhas: homem, mulher e criança, uma missão, perdem uns actores secundários pelo caminho até ao happy ending final. Os bons são recompensados, os maus são presos, a verdade ganha sempre.
Oz é o nome coloquial para a Austrália. Com tanta sorte Victor Fleming, um dos realizadores amplamente citados durante as 3h do filme, tinha feito há 80 anos o Feiticeiro de Oz, usado como leit motiv para nunca nos esquecermos que algures no final do arco-iris, lá bem em cima, todos os sonhos são possíveis.
Ah, e tem o Hugh Jackman a domar cavalos. Yummy.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
The truth is out there
As diferenças entre as preparações é que as temporárias somos nós a preparar, as definitivas já estão feitas e prontas para serem observadas ao microscópio.
Reparem como ela entende o continuum espaço-tempo, em que a matéria definitiva já existia antes de nós e perdurará além da nossa morte, por oposição ao efémero, ao trivial, ao prazer momentâneo e fugaz que ocorre na construção de algo mais curto que a nossa existência.
domingo, janeiro 11, 2009
Descoberta dominical
sábado, janeiro 10, 2009
Quero (não) ver o mesmo que eles
"Lentes polarizadas:
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Península
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Resoluções de ano novo - 9
Salsa, merengue, kizomba, morna, tango, rock, pop, samba, electrónica, punk, hard core trash metal, polca, valsa, rumba ou cha cha cha, o que importa é dançar mesmo muito.
E cantar, no banho, no carro, na sala, com público ou sem ele. Continuar sem me importar com as pessoas que deixo de boca aberta nos semáforos ao verem as minhas goelas abertas no máximo enquanto me abano no banco.
Não interessa se não acerto no tom, o pior mesmo é desafinar na vida.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Ceci n'est pas une porte
Olhando melhor, acho que se pode abrir mas do outro lado. Daquele que não vemos, que não conseguimos ver, que está do lado oposto ao da fotografia. Há alguém que tem a chave e consigo o poder de a abrir e dar-lhe então sentido. De que serve uma porta com corações desencontrados se não se pode escancarar?
Uma porta que protege mas não do frio porque está esburacada em ambas as portadas. Também não é da chuva, que come a tinta e incha a madeira. Ao vento não oferece grande resistência, com medo de se partir. Para que serve esta porta então?
Olho ainda com mais atenção. Tem pregados os resquícios do que um dia foi uma fechadura, agora partida e sem nada que a faça mover. Mas ainda resiste uma pega de metal com aspecto firme. É nela que deposito a minha esperança.
sábado, janeiro 03, 2009
Resoluções de ano novo - 10
Já com a dita fora do prazo, marco a inspecção que serve até para averiguar do seu grau de conservação. Espero a minha vez ao lado de outras pessoas com igual ar macambúzio, entre ressacas e gripes ainda por curar do ano anterior. Uma voz feminina chama-me pela matrícula, pedindo-me sublinhando o por favor que me dirija à linha 3, onde me espera um circunspecto inspector que me manda avançar com sinais que descortino com dificuldade, afinal é mais para a direita. Segue-se a saga dos mínimos, médios, máximos, piscas, que se repete para a parte traseira acrescentando a luz de marcha atrás e a de nevoeiro, seguindo-se o triângulo e colete (XL, faz-me sempre rir pensando no dia em que o terei de usar).
Passando à parte séria, a dos travões e suspensão, para a qual já tenho resposta preparada. "Importa-se que seja eu a fazer?", pergunta-me. "Claro que não, até lhe ponho o banco mais para trás e tudo", arranco-lhe assim um sorriso aberto e genuíno, pondo o bold não apenas na sua superioridade na capacidade de travar o meu carro como nas suas dimensões viris comparadas com as minhas (como sou pequena é truque que resulta sempre, e à qual o típico macho português se revela sensível).
Apenas me devolve a primazia do condutor porque tem de me mandar guinar a direcção enquanto inspecciona qualquer coisa nas entranhas, nunca soube o quê e dou graças por terem finalmente instalações que não me obrigam a ser içada a 3 metros de altura do chão, situação que me deixa em meio pânico a achar que é desta que faço as manchetes do correio da manhã com um acidente mais que insólito.
Veredicto final: aprovado por unanimidade, mas sem louvor e com uma distinção. Diz que tenho os faróis descaídos. Venho-me embora, não sem antes verificar no espelho retrovisor se se estaria a referir ao aparecimento de algum pé de galinha.




