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segunda-feira, janeiro 25, 2010

Evidentemente

Evidentemente, é a mamã que se ocupa de tudo, é ela que cuida da minha higiene pessoal com carícias de verdadeiro bem-estar.

in Guia Prático do Crescimento Chicco, Edição 2008 nº 59, pag. 53

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Cidade

"O carrinho mais prático e versátil, super compacto quando dobrado, ideal para um uso citadino frequente. " venderam-me. Eu comprei.

Esqueceram-se de acrescentar que o uso citadino frequente exclui Lisboa e a calçada portuguesa. Para conseguir o estatuto de citadina feliz col bambino tenho de me resignar a ser uma rapariguinha do shopping.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Everyday is christmas and every night is new year's eve

Ter feito uma pessoa dentro da minha barriga pôs definitivamente os festejos de fim de ano no sítio onde pertencem. Uma boa desculpa para passar uma noite com os amigos.

O meu ano novo começou em Outubro.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Ossos do ofício

Há quem faça calos nos dedos de tanto escrever com o próprio punho. Os cavadores ganham-nos nas palmas das mãos, os caminhantes nas solas dos pés.

O meu filho tem um na boca.




Resta-nos saber se é tudo fome ou se anda a alimentar um édipo como deve ser.

domingo, dezembro 20, 2009

Um bocadinho

De cada vez que me dizem oh D. Ester, o seu filho é lindo, em vez de agradecer como me compete concordo efusivamente pois é! Às vezes nem espero que digam nada, atiro logo um ele é tão bonito com o qual as pessoas são obrigadas a concordar.

Ando a tentar pôr em contacto o meu coté maternal com a costela de boas maneiras, e quando se encontrarem pode ser que consiga começar a dizer obrigada com um ar tímido-embaraçado, ou eu também acho mas sou suspeita, ou se chegar ao nível três já reparou como ele tem as orelhas um bocadinho de abano?

terça-feira, dezembro 08, 2009

Always look on the bright side of life

Acordar a meio da noite com choro insistente, mudar a fralda, dar de mamar, pôr a arrotar, tranquilizar, voltar a dormir.

No meio de tanto verbo ele olhou pela janela ao voltar para a cama. Ainda com os olhos a meia haste atirou-me há coisas bem piores que ter um bebé. São 7h30 da manhã, está um frio de rachar, chuvisca e há um tipo a passear dois cães na rua. Ao menos o nosso faz chichi dentro de casa.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Eles

Esta manhã passei oficialmente a ser um deles: limpei o queixo do meu filho com um bocado de cuspo na ponta de um dedo.

domingo, novembro 08, 2009

New blue eyes

Depois de semanas de contracções e mau estar, em quatro horas apenas o miúdo resolveu a questão. Tive tempo para tudo, para as dores de alucinar e pensar que perdia o juízo, para a salvação terrena da epidural (por um triz não beijei o anestesista de gratidão), para o empurra empurra com o progenitor a ajudar, até chegar à sensação mais bonita que me foi dada até hoje - a do meu filho sair-me de dentro.

Puseram-mo em cima da barriga para o bonding mas esqueceram-se de mo virar de frente, queriam à força que me apaixonasse por uma nuca. Tive de gritar que não o conseguia ver para que o enfermeiro tivesse dó de mim e aí sim, ficámos os dois a olhar um para o outro, com que então és tu era o que se lia em cada um de nós. Tirámo-nos as medidas para termos a certeza de que não nos trocavam na maternidade (eu feliz por ele ter uma grande marca na testa para facilitar o processo), enquanto o pai lhe dava a independência cortando o cordão umbilical (nada me tira da cabeça que o miudinho vai usar esse argumento para lhe sacar o carro para andar pelas naites quando chegar a hora).

Agora andamos a conhecer-nos. Há dias mais fáceis que outros - hoje está como um santo a sorrir na alcofa enquanto dorme, faz apenas uns barulhinhos que me faziam saltar da cama para ver se era uma macueca mas aos quais já me habituei. Tem um ar feliz assim.

Noutras alturas chora desalmadamente e eu não sei que lhe hei-de fazer, tenho de ir por tentativa e erro e nem assim acerto. Rendo-me, ficando com ele no colo a embalar até que se acalme ou desista.

Ainda temos muito a aprender um com o outro. Como todas as mães neofitas tenho medo de fazer asneiras e mortifico-me quando acho que alguma coisa não correu bem e a culpa foi da minha aselhice. Para me consolar dizem-me que o quer que faça vai ser sempre pouco aos seus olhos adolescentes. Encolho os ombros e penso nos seus olhos de adulto inteligente e sensato. Mas o melhor mesmo é poder ficar horas a contemplar o fabuloso azul cor do mar em dia chuvoso que tem agora. Para a semana logo se vê se mudam de cor.