quarta-feira, setembro 03, 2008

Tratamento

"Tratas os teus pais por você?", ouvi com tom escandalizado muitas vezes. Explicar que nunca os trataria por você mas sim pelo nome, pai ou mãe, usando a terceira pessoa do singular, deixa quem me ouve num horror maior. Olham para mim como para um dinossauro oitocentista enquanto eu explico que é assim para pais, avós e tios.

Se eu não tenho nada contra as pessoas que usam o tu, porque é que enerva tanto que eu não o faça? Um dilema que me há de acompanhar até à cova.

A única coisa que não consigo compreender são as pessoas que tratam os pais pelo nome próprio. Do lado dos pais, por prescindirem de um tratamento único. Do lados dos filhos, que ficam a parecer órfãos. É que às vezes sinto tanto a falta de chamar pela minha mãe que o faço baixinho só para me lembrar ao que soava.

(posta arrotada depois de ler a do manyfaces)

5 comentários:

sem-se-ver disse...

não os trato por você. nunca! que horror!!

mas uso a terceira pessoa do singular.

o pai isto, a mãe aquilo; pai, mãe, como chamamento.

sou a mais nova de 5 filhos, e a única que assim procedo - os meus irmãos não os tratam pelos nomes próprios - que horror! -, mas tratam-nos por tu.

nunca o conseguiria, eu.

Lince disse...

Trato os meus pais por tu, nao sei se com a idade nao comecarei a tratar por "a mae isto, a mae aquilo"...

Com a minha avo, ja e diferente, e como tu fazes...

Apetece-me tanto abracar-te quando falas da tua mae...

Com carinho,
Lince

Jonas disse...

"Meu pai" e "minha mãe" é tão bonito... melhor só, acho, "o paizinho isto" ou "a mãezinha aquilo". Já eu, sou um ordinário, mas culpa é deles. Afinal tal é o estado de confusão no tratamento relativo ao resto da família mais próxima, não há padrão etário, de género ou consanguinidade, nada! Tios que são "tio" apenas ou também "tu", outros vão pelo nome.
Agora os progenitores, ou o "velho" e a "velha", a "Zézinha" às vezes, têm o tratamento mais displicente, no fundo, que merecem... ah! irmão mais novo há-de ser sempre o "puto G...", mesmo já me comendo as papas na cabeça.

D. Ester disse...

sem se ver, é mesmo uma questão de hábito. Ou de falta dele, como na família do Jonas, um exemplo acabado da anarquia nominal.

lince siberiano (gosto mais do da malcata, mas é o que se arranja), já levo abracinho virtual, ora toma que já almocei.

Jonas, gostei muito das tuas murraças na mesa. O chat funcionou?

Jonas disse...

Foi um fracasso total, bof... não sei o que fazer daquela malta.