segunda-feira, dezembro 15, 2008

Mais pontos de vista

Já tinha aproveitado o assunto para fazer umas graçolas sobre o tema. Mas parece que voltou à ordem do dia, e D. Ester sempre atenta, entre a manicure e a depiladora, consegue dar o seu ponto de vista sobre o assunto.

A Jonasnuts decompôs a origem da história, a Joana Lopes comentou-a e eu debruçar-me-ei agora sobre as conclusões de um estudo sobre blogosfera que podem ser lidas aqui.

Como podem verificar pelo que a Jonas escreveu, a amostra de bloggers foi recolhida através dos links e comentários de um único blog, o que introduz aquilo que se chama viés num estudo. Ou seja, não se consegue ter uma amostra representativa da população que se pretende caracterizar (no caso os bloggers do Minho) apenas pelos que têm afinidades com uma pessoa só - a não ser que se parta do pressuposto que TODOS os bloggers do Minho estão linkados no dito blog e comentaram nos seus posts, em especial onde se discute esse tema transversal "petição pelo regresso do eléctrico".

Dado que as autoras do estudo se deram conta que não tinham base estatisticamente significativa, chamaram-lhe "um olhar sobre a realidade do Minho", advertendo que pretendem um contributo inicial para o estudo geográfico da blogosfera.


Podem ler-se nas considerações finais:

- Apesar das potencialidades que a blogosfera apresenta para a afirmação das vozes femininas, uma vez que este é um mecanismo de auto-edição, ainda se verifica um baixo nível de participação das mulheres a nível regional.
- O ponto de partida para esta análise é um blogue de um homem, com um forte pendor de intervenção regional, o que poderá deixar de fora do blogroll do ‘Avenida Central’ os blogues com outros centros de interesse, onde eventualmente a presença feminina seja mais numerosa

Pois, às tantas as bloggers minhotas interessam-se mais por temas nacionais.

Em relação às questões que os autores creem levantar com este estudo preliminar acontece uma coisa espantosa; em vez de se falar das mulheres do Minho extrapolam-se os resultados para a realidade nacional:

– Será que as mulheres estão afastadas da blogosfera ou alguns blogues assinados por homens conseguem maior destaque, mesmo nos meios de comunicação tradicionais, criando a ideia de que elas são menos activas no ciberespaço?

Em menos de 5 minutos consultei o top de blogues mais lidos em Portugal, aqui. Não conhecia todos os blogues, mas fui ver quantos deles eram escritos, no todo ou em parte por mulheres. E não é que 12 dos 25 listados entravam nessa categoria? Reparem, fui à fonte de blogues mais lidos de todos, sem vieses de temas. E encontrei 48% de participação feminina na blogosfera. Há coisas incríveis, bem sei.






– Será que os blogues de mulheres se concentram, de facto, em determinadas áreas tradicionalmente conotadas com a esfera feminina ou são os espaços dedicados a outras temáticas que não são (re)conhecidos?


É contar e catalogar: dos 9 que podem ser considerados de intervenção, 4 contam com mulheres na equipe. E entre os que falam de temas menos, hum, prementes, temos o wrestling galaxia a par e passo com o blog de artesanato. E Deus criou a mulher por oposição a crianças, jovens e adolescentes. A escolha é variada.

– Será correcto falar de blogues femininos e masculinos? Porque é que muitas escondem a sua ‘verdadeira identidade’ sob a capa de nicknames?


Verdadeira identidade entre aspas porquê? Pelo que leio, tanto homens como mulheres usam nicknames para assinar o que escrevem e o que comentam. Por uma razão muito simples: privacidade. E assim de cabeça, lembro-me de tantas mulheres como homens que assinam com nome e apelido. Entre as quais duas das autoras do estudo, que também blogam assumidamente. Mas não pretendo que os meus conhecimentos blogosféricos sejam representativos da realidade, haveria que fazer um levantamento completo. Decerto seria surpreendente para algumas pessoas.

– Será que a blogosfera está a funcionar como um mecanismo de reprodução dos estereótipos que foram sedimentados durante séculos? Ou poderemos encarar os blogues como ferramentas que estão a operar uma mudança social?

(coço a cabeça atrás da nuca antes de dar o meu modesto contributo a esta) Não sei de que estereotipos falam, tenho dificuldade em entender sequer a questão. Nos blogues as mulheres trabalham mais? Dedicam-lhes mais tempo? Ou será que tratam melhor os seus comentadores, são mais afáveis e simpáticas? São mais interessadas pelas questões educativas, usando os seus blogues como veículos de tradução da realidade?


Eu tinha achado o estudo divertido, engraçado, despretensioso, com vontade de integrar contributos para aumentar e melhorar o seu alvo, tornando-o eventualmente uma referência interessante. No entanto, ao fim da segunda apresentação pública sem revisão dos seus princípios e continuando a responder em tom jocoso às pessoas que questionam as suas bases não é uma forma séria de fazer aquilo que se propoem - ciência. Pronto, ciência social, mas ainda assim.

Parece-me que este é um terreno fértil para se fazerem inúmeros estudos e observatórios, mas uma coisa que se pede é seriedade para que possam ser levados em conta. Uma coisa que as autoras deste estudo estarão a descobrir com surpresa e agrado é que há muitas mulheres (não somos minhotas é certo, mas ainda assim) que têm voz e vontade de intervir - tal como elas parecem ter. Mas não basta ter boa vontade e fazer uns estudos por alto. De qualquer forma, com a visibilidade que estamos a ajudar a que tenham seguramente poderão prosseguir o estudo.

18 comentários:

FUMADOR disse...

Bonito blog passe tb pelo meu.

Mª João Nogueira disse...

E já agora, o Blogoómetro é só o top dos Blogs que têm sitemeter e estão registados no blogómetro, portanto, há uma larga fatia de Blogs que não são considerados nessa lista :)

D. Ester disse...

Maria João, neste caso o universo é o dos blogs com sitemeter e registados no blogómetro - provavelmente mais abrangente e heterógeneo que os da lista de um único blog.

David Marçal disse...

Bem, o estudo citado é tão deprimente que até desmotiva. Não tem realmente ponta por onde se lhe pegue e dispensa comentários especificos. Limito-me a concluir, e em conformidade com a lógica do trabalho supracitado, que todos os estudos de investigação em ciências sociais são uma treta. São coisas destas que atiram as pessoas para os curandeiros e cursos de auto-ajuda. Mas as vozes de burro encontram sempre eco, vá-se lá saber porquê.

Rita Maria disse...

Eu, blogger minhota, concordo contigo. Mas depois gosto efectivamente mais de blogues de mulheres. Talvez porque nao haja tanto o (*estereótipo!*estereótipo!*estereótipo!*) tom "os caes desta raça"...

D. Ester disse...

Alguém de ciências sociais à recepção, está aqui um sociocéptico :)

Rita, foste uma das mulheres que entraram no estudo? ou minhotas fora de sede não contaram?

Rita Maria disse...

Acho que não contam, a mim ninguém me perguntou nada...

Manyfaces disse...

... será que noto uma animosidadesita pelas nobres ciências sociais, hein... É injusto menosprezar as contribuições de ilustres sociólogos como Boaventura Sousa Santos (BSS), esse farol do pós-modernismo Coimbrinha. Deste teste diria por certo, que o contexto estrutural do inquérito-objecto, como iminência de natureza subjectiva, não pode ser submetido às falíveis regras do método científico, pois ele encerra a possibilidade da felicidade Minhota, no sentido do encontro de um qualquer locus interno que vagueia perdido...

Pois não se esqueçam que:

"A ciência moderna não é a única explicação possível da realidade e não há sequer qualquer razão científica para a considerar melhor que as explicações alternativas da metafísica, da astrologia da religião, da arte ou da poesia."
Discurso Sobre as Ciências,
de BSS (ganda maluco...)

Carla Cerqueira disse...

Pensamos que é importante esclarecer em que consiste um estudo de caso. Concentra-se, como sabe certamente, num determinado contexto (pode ser um blogue especifico, o que não leva a que se apelide de um “viés no estudo”). O nosso objectivo não era ter uma amostra representativa dos bloggers do Minho, mas sim centrar a análise num blogue específico, o Avenida Central, como explicámos por diversas vezes. “Um estudo sobre a realidade do Minho” significa, assim, que iniciámos a investigação sobre determinada problemática(ou seja, fizemos uma análise exploratória baseada num caso específico que está delimitado pela vertente regional).
Os estudos de caso têm um forte cunho descritivo, mas visam ainda interrogar a situação, confrontar a situação com outras situações ou teorias já existentes e ajudar a gerar novas questões para futuras investigações. Assim, levántamos algumas questões, nunca fazendo generalizações nem tentando extrapolar os dados para outra realidade que não o caso específico que estudámos.
Neste caso utilizámos como método de recolha de dados questionários. Além disso, e frisando mais uma vez, a nossa população não eram os bloggers do Minho, porque o foco de análise era um blogue específico e de 153 contactos conseguimos 88 respostas aos questionários, o que consideramos muito positivo.
Geralmente, os estudos de caso revelam-se bastante realistas, fornecendo informações relevantes para outras situações similares. Contudo, têm sempre como limitação o facto de os resultados não serem generalizáveis.
O nosso estudo não pretendia analisar o top dos blogues mais lidos em Portugal. Mas ficamos por satisfeitas por, através de uma análise rápida e superficial, conseguir responder a algumas das questões que nos surgiram e que consideramos prementes nesta área.
Ficamos realmente admiradas por não perceber o que pretendemos dizer com “estereótipos sedimentados durante séculos”, mas podemos aconselhar algumas leituras. Esta é uma questão que tem sido bastante estudada e existem mesmo referências nacionais….
Por último, ficamos satisfeitas por conseguirmos suscitar o debate em torno desta temática. É sinal que é uma área que realmente interessa e que necessita de muita investigação…

Ana Matos Pires disse...

Se se trata de um estudo de caso isso deveria ter sido assinalado na metodologia do trabalho. De qualquer modo gostaria de saber, então, que respostas permitiu dar este estudo de caso às vossas questões:

"– Será que as mulheres estão afastadas da blogosfera ou alguns blogues assinados por homens conseguem maior destaque, mesmo nos meios de comunicação tradicionais, criando a ideia de que elas são menos activas no ciberespaço?

– Será que os blogues de mulheres se concentram, de facto, em determinadas áreas tradicionalmente conotadas com a esfera feminina ou são os espaços dedicados a outras temáticas que não são (re)conhecidos?

– Será correcto falar de blogues femininos e masculinos? Porque é que muitas escondem a sua ‘verdadeira identidade’ sob a capa de nicknames?

– Será que a blogosfera está a funcionar como um mecanismo de reprodução dos estereótipos que foram sedimentados durante séculos? Ou poderemos encarar os blogues como ferramentas que estão a operar uma mudança social?"

Carla Cerqueira disse...

Obviamente que esclarecemos nos procedimentos metodológicos que se trata de um estudo de caso.
Estas questões que aponta surgiram a partir desta análise exploratória centrada no blogue Avenida Central. Tal como referi, os estudos de caso, como aconteceu com o nosso, permitem-nos ajudar a gerar novas questões para futuras investigações. Gostaríamos de numa fase posterior, com uma metodologia consolidada (que, como sabe certamente, não existe ainda para a análise da blogosfera) conseguirmos fazer um estudo representativo da blogosfera nacional, o qual implicará obviamente uma análise mais qualitativa e que poderá dar algumas respostas a estas questões que, no nosso entender, são pertinentes no âmbito desta temática.
Agradecemos todas as colaborações, pois há ainda muito trabalho a fazer neste campo.

dorean paxorales disse...

eu queria mesmo era saber onde se assina a petição pelo regresso do eléctrico. obrigados. D.

OpinarDiário disse...

Concordo que os estudos sobre a blogosfera fazem falta. É um meio muito novo e todos os contributos são importantes. Parabéns a estes investigadores porque darem um passo em frente na análise deste meio. Analisarem um caso específico e local parece-me relevante e muito válido para quem pretende começar a abordar estas questões.

Mª João Nogueira disse...

Puxando um bocadinho a brasa à minha sardinha, que são os Blogs do SAPO, sempre que sou convidada para orar (adoro esta palavra) pra universos académicos, uma das primeiras coisas que faço é dizer que os dados estatísticos dos Blogs do SAPO estão à disposição de quem os quiser estudar, com duas condições únicas:
1 - Não ultrapassar os limites no que diz respeito à privacidade dos dados dos utilizadores. Apenas fornecemos dados de forma anónima.
2 - Que os resultados do estudo sejam partilhados livremente, publicados num blog (do SAPO ou sem ser do SAPO).

Ando há mais de 2 anos a dizer isto. Ainda ninguém mostrou interesse.

Rita Maria disse...

Acho a explicaçao da investigadora muito convincente, a ser honesta.

Se é verdade que na sociedade portuguesa nao perceber de cultura é visto de forma muito mais grave do que nao perceber de ciências (naturais), a verdade é também que o desconhecimento sobre as metodologias e a utilidade das ciências sociais é muito maior.

O "este estudo nao quer dizer nada, porque só estuda esta realidade" é o "esta cambada de traçoes também eu fazia" das ciências sociais....

D. Ester disse...

Faço minhas as palavras da Ana Matos Pires; sei o que é um estudo de caso, e pelos vistos estamos todos/as de acordo que os resultados raramente (estou a ser optimista) possam ser generalizáveis para o que quer que seja. Acho apenas surpreendente que do estudo caso do blog avenida central, seu blog roll e respectivos comentadores, e sabendo que a quantidade de mulheres que nele constam é residual, tenham feito considerações e levantado questões que apenas a elas dizem respeito. Parece-me que seria muito mais lícito concluir ou considerar alguma coisa sobre os perfis masculinos interessado nesses debates (já que prolificos). Como é que de um universo de 7 mulheres podem chegar a coisas como afastamento das mulheres da blogosfera em geral, uso de nicknames em vez de nome e apelido, ou interesse por outro tipo de temáticas - apenas pelo desinteresse nas discussões do referido blog.

Quanto a "estereotipos sedimentados durante séculos", pode querer na realidade dizer uma série de coisas, entre as quais as que elenquei. Aliás, como sabe muitos dos ditos já cairam e outros estam em constante periclitância, portanto não sei de facto a que se refere. em especial, porque é essa a crítica, partindo da realidade que usaram.

Uma coisa sim sei é que as mulheres têm, em média, menos tempo dedicado ao ócio, porque são mais trabalhadoras que os homens (no local de trabalho+ casa). No entanto, olhando para a realidade nacional da forma superficial como eu o fiz não vi isso espelhado.

Aguardemos então mais estudos, mais abrangentes. Como vê, e creio já tinham sido informadas, têm a base de dados dos blogs do sapo para utilizar livremente.

Anónimo disse...

Cara Maria João Nogueira,
Agradecemos a sua disponibilidade para fornecer os dados estatísticos dos Blogues do SAPO para fins de investigação académica. Como já lhe tínhamos dito, achamos a ideia excelente e tencionamos aproveitar a disponibilidade quando prosseguirmos com um estudo mais abrangente. Temos a certeza que estes dados contribuirão para tornar qualquer análise mais enriquecedora, daí que sejam extremamente interessantes para qualquer grupo de investigação.

Cara Rita Maria,
Tem toda a razão. Os estudos na área das ciências sociais têm que ser considerados com a mesma relevância que os estudos que são feitos noutras áreas porque todos eles visam a produção de conhecimento. Em ciências sociais pretende-se, muitas vezes, a análise de fenómenos/situações com vista à mudança social, por isso parece-nos muito importante que as mais variadas temáticas sejam estudadas e das mais diversas formas, com o objectivo de confrontarmos perspectivas e avançarmos no conhecimento da(s) realidade(s).

Cara D. Ester,
Neste estudo centramo-nos nas respostas de quem diz ser homem e mulher e nas diferenças que podem advir da categoria sexo, sempre alertando para o facto de termos uma amostra desequilibrada (com apenas 7 mulheres). Assim, nas considerações finais (não conclusões, uma vez que se trata de um estudo exploratório) também traçamos um perfil de blogger masculino e não apenas feminino. Aliás, com este estudo de caso vimos que eles participaram mais na petição que tivemos como base e que nos responderam em maior número, fazendo depois a sua caracterização. As questões que depois levantámos pretendem lançar ideias para futuros trabalhos e não se baseiam apenas no trabalho empírico desenvolvido (e sempre exploratório), mas na literatura que já existe na área (a nível internacional) e que ainda é incipiente. Os estudos feitos nos EUA e na Grã-Bretanha apontam para algumas linhas, as quais queremos aprofundar.
Relativamente aos “estereótipos sedimentados durante séculos” podem referir-se a diversos aspectos, os quais estão documentados na literatura sobre estereótipos de género e em vários estudos nacionais. Algumas investigações, mesmo recentes, mostram que muitos deles continuam a persistir, apesar dos avanços que as mulheres conseguiram. Saliento, neste caso, o facto de tradicionalmente as mulheres estarem conotadas com a esfera doméstica e com temáticas de interesse mais “privado”, de não usufruírem da palavra da mesma forma que os homens, de estarem mais afastadas das tecnologias, de terem que conciliar a esfera privada e pública…. Continuam a persistir “imagens mentais” na cabeça de algumas pessoas, as quais necessitamos de desconstruir para o bem da sociedade. É importante mostrar que as mulheres são agentes de sucesso, que elas estão nas mais variadas áreas, contrariando estes estereótipos que teimam em persistir. É relevante analisar a sua participação no campo das novas tecnologias, pois este é um campo crucial que pode contribuir para a mudança social.

Agradecemos a todas a participação neste debate que se torna extremamente enriquecedor e que mostra a importância de fazer mais estudos e mais abrangentes. Queremos continuar a estudar a temática e contamos com o contributo de todas/os.

Carla Cerqueira disse...

Cara Maria João Nogueira,
Agradecemos a sua disponibilidade para fornecer os dados estatísticos dos Blogues do SAPO para fins de investigação académica. Como já lhe tínhamos dito, achamos a ideia excelente e tencionamos aproveitar a disponibilidade quando prosseguirmos com um estudo mais abrangente. Temos a certeza que estes dados contribuirão para tornar qualquer análise mais enriquecedora, daí que sejam extremamente interessantes para qualquer grupo de investigação.

Cara Rita Maria,
Tem toda a razão. Os estudos na área das ciências sociais têm que ser considerados com a mesma relevância que os estudos que são feitos noutras áreas porque todos eles visam a produção de conhecimento. Em ciências sociais pretende-se, muitas vezes, a análise de fenómenos/situações com vista à mudança social, por isso parece-nos muito importante que as mais variadas temáticas sejam estudadas e das mais diversas formas, com o objectivo de confrontarmos perspectivas e avançarmos no conhecimento da(s) realidade(s).

Cara D. Ester,
Neste estudo centramo-nos nas respostas de quem diz ser homem e mulher e nas diferenças que podem advir da categoria sexo, sempre alertando para o facto de termos uma amostra desequilibrada (com apenas 7 mulheres). Assim, nas considerações finais (não conclusões, uma vez que se trata de um estudo exploratório) também traçamos um perfil de blogger masculino e não apenas feminino. Aliás, com este estudo de caso vimos que eles participaram mais na petição que tivemos como base e que nos responderam em maior número, fazendo depois a sua caracterização. As questões que depois levantámos pretendem lançar ideias para futuros trabalhos e não se baseiam apenas no trabalho empírico desenvolvido (e sempre exploratório), mas na literatura que já existe na área (a nível internacional) e que ainda é incipiente. Os estudos feitos nos EUA e na Grã-Bretanha apontam para algumas linhas, as quais queremos aprofundar.
Relativamente aos “estereótipos sedimentados durante séculos” podem referir-se a diversos aspectos, os quais estão documentados na literatura sobre estereótipos de género e em vários estudos nacionais. Algumas investigações, mesmo recentes, mostram que muitos deles continuam a persistir, apesar dos avanços que as mulheres conseguiram. Saliento, neste caso, o facto de tradicionalmente as mulheres estarem conotadas com a esfera doméstica e com temáticas de interesse mais “privado”, de não usufruírem da palavra da mesma forma que os homens, de estarem mais afastadas das tecnologias, de terem que conciliar a esfera privada e pública…. Continuam a persistir “imagens mentais” na cabeça de algumas pessoas, as quais necessitamos de desconstruir para o bem da sociedade. É importante mostrar que as mulheres são agentes de sucesso, que elas estão nas mais variadas áreas, contrariando estes estereótipos que teimam em persistir. É relevante analisar a sua participação no campo das novas tecnologias, pois este é um campo crucial que pode contribuir para a mudança social.

Agradecemos a todas a participação neste debate que se torna extremamente enriquecedor e que mostra a importância de fazer mais estudos e mais abrangentes. Queremos continuar a estudar a temática e contamos com o contributo de todas/os.